Sobre o aumento


Governar na verdade significa servir. Um sacrifício do superior visando a um aumento do inferior é considerado um simples aumento. Isso indica o único espírito capaz de ajuda o mundo.

O sacrifício por parte dos que estão situados ao alto em benefício dos que estão em posições inferiores desperta no povo um sentimento de alegria e gratidão, que é de sua importância para o bem comum. Quando as pessoas amam a seus governantes, tornam-se capazes de realizar com sucesso até mesmo coisas difíceis e perigosas. Em tais épocas de progresso, em que o desenvolvimento se realiza com sucesso, o trabalho é necessário para que as possibilidades do momento sejam utilizadas. Este período é semelhante a um casamento entre o céu e a terra, quando a terra participa da força criadora do céu, dando forma e concretude aos seres vivos. A época do aumento não é permanente e por isso deve ser aproveitada enquanto perdura.

Ao observar como o trovão e o vento aumentam e fortalecem um ao outro, o homem pode aprender o sentido do autodesenvolvimento, do auto-aprimoramento. Quando alguém descobre algo de bom nos outros, deve imitá-lo, integrando a si, desse modo, todo o bem sobre a terra. Quando percebe algo de mal em si mesmo, deve descartá-lo. Assim se libertará do mal. Esta mudança ética é o mais importante aumento da personalidade.
O verdadeiro aumento ocorre quando o homem cria interiormente as condições propícias à sua manifestação, isto é, quando cultiva a receptividade e o amor ao bem. Dessa forma, aquilo pelo que ele anseia bem ao seu encontro com a inevitabilidade das leis naturais. Estando assim o aumento em harmonia com as leis supremas do universo, não pode ser impedido por nenhum conjunto de circunstâncias ocasionais. Tudo depende de ele não se tornar negligente em virtude da boa fortuna. O homem deve conquistá-la através de seu poder interno e da constância. Isso o torna relevante diante de Deus e dos homens, possibilitando-lhe realizar algo pelo bem do mundo.

É importante que haja mediadores entre os governantes e os governados. Essa função supõe um espírito desinteressado, especialmente em épocas de aumento, uma vez que o benefício enviado pelo governante deve ser distribuído ao povo. Desse benefício, nada deve ser retido de forma egoísta; é necessário que seja entregue àqueles aos quais foi destinado. Esse mediador pode exercer uma influência benéfica sobre o governante. Seu papel é de essencial importância nos períodos em que são decididos empreendimentos cruciais para o futuro, o que exige a concordância de todos os interessados.

Fonte: I Ching
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