Os paradoxos da intuição


“...a mente é, como uma brasa dormente, que alguma influência invisível, como um vento inconstante desperta para um brilho transitório."
Os trechos abaixo foram retirados de um livro que fala sobre intuição. Este livro foi um verdadeiro achado. Eu o encontrei num sebo do Rio de Janeiro, estava lá a trabalho e no final de semana resolvi curtir a praia Carioca, porém no final de semana, por incrível que parece fez frio e choveu. Na falta do que fazer minha amiga me falou desse sebo que ficava perto da casa dela, fui lá e adorei.

“Quando e como elas vêm, eu não sei”, escreveu Mozart, “nem posso forçá-las”. Repetida por pessoas intuitivas em todas as áreas, essa observação sugere a espontaneidade e gratuidade da intuição. A intuição vem por si mesma. Seja um pressentimento trivial, uma decisão importante ou uma descoberta cientifica, ela possui a mesma qualidade a que Keats se referiu quando escreveu: “Se a poesia não vier tão naturalmente como as folhas em uma árvore, então é melhor que nem venha”.

Bach expressa bem a mesma idéia em resposta a uma pergunta sobre onde ele encontrava suas melodias: ”O problema não é encontrá-las e, sim, ao sair da cama pela manhã, não pisar nelas”.

Não podemos forçar a intuição, assim como não podemos forçar alguém a amar-nos. Podemos nos preparar para ela, convidá-la e criar condições propicias para atraí-la, mas não podemos dizer: AGORA VOU TER UMA INTUIÇÃO, do mesmo modo que, nas palavras de Shelley, “uma pessoa não pode dizer: vou compor poesia. Nem mesmo o maior dos poetas pode dizê-lo, pois a mente é, como uma brasa dormente, que alguma influência invisível, como um vento inconstante desperta para um brilho transitório.”

“Quando a composição começa, a inspiração já está em declínio, e a poesia mais gloriosa que já foi comunicada ao mundo provavelmente é uma tênue sombra da concepção original do poeta”.
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