Dalí aqui no Brasil - pela Primeira vez uma exposição inteira sobre Salvador Dalí

É com muita honra e alegria que escrevo este post sobre a exposição, do Salvador Dalí, que acontecerá aqui no Brasil. Sou fã do Dalí e de toda a sua obra e faz tempo que sonho com esta exposição.

"Não esqueçamos que as massas sabem valorizar o sentido da poesia."

A primeira parada acontecerá em maio, no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio. Depois, em outubro, partirá para o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Pinturas a óleo, livros, fotos, objetos, documentos, pertences pessoais e mais diversos trabalhos do surrealista serão abertos ao público. As obras fazem parte do acervo Teatro-Museu Dalí de Figueras, que fica na Espanha. Para conhecer o museu clique aqui. 

O Estrambólica Arte não perderá esta exposição por nada e publicará todos os detalhes da mesma aqui.

Pegando o gancho da exposição, recorri ao meu livro do Dalí, e sempre que recorro a ele, encontro coisas belíssimas.  Transcrevo o resumo de um lindo texto sobre a “fase mística” do Salvador Dalí que encontrei nesse livro.

O manifesto Místico
"Eu Dalí, reatualizando o misticismo espanhol, vou provar com a minha obra a unidade do universo, ao mostrar a espiritualidade de todas a substâncias".
Num texto intitulado “Manifesto Místico”, Dalí explica a mudança que se opera nele: “As coisas mais subversivas que podem acontecer a um ex-surrealista são duas: primeiro, tornar-se místico e, segundo, saber desenhar: estes dois tipos de força acabam de me acontecer simultaneamente. A Catalunha tem então três grandes gênios: Raymond de Sebonde, autor da Teologie Natural; Gaudí, criador do gótico mediterrâneo, e Salvador Dalí, inventor da nova mística paranóico-crítica e, tal como o nome indica, da pintura moderna. A intensa crise do misticismo daliniano é causada basicamente pelo progresso das ciências especializadas da nossa época, em particular, pela espiritualidade metafísica da física quântica e por um plano de simulacros menos substanciais, pelos resultados mais ignominiosamente supergelatinosos e pelos respectivos coeficientes de viscosidade monárquica de toda morfologia universal...”

Dali explica o que o impulsionou a enveredar pelo caminho da mística: “A explosão atômica de 6 de Agosto de 1945 abalou-me sismicamente. Daí em diante, o átomo tornou-se o meu assunto de reflexão preferido. Muitas das paisagens pintadas, durante este período, exprimem o profundo medo que senti, ao anunciarem esta explosão. Aplicava o meu método paranoico-crítico à exploração deste mundo. Quero ver e compreender a força e as leis escondidas nas coisas, para as dominar. Tenho a intuição genial de que disponho de uma arma extraordinária, que me permite penetrar no coração da realidade: o misticismo, isto é, a intuição profunda do que é a comunicação imediata com o todo, a visão absoluta  através da graça da verdade, através da graça divina. Mais forte do que os ciclotrões e do que as calculadoras cibernéticas, posso num instante penetrar nos segredos do real... A mim o êxtase! Exclamei. O êxtase de Deus e do homem. Venha a mim a perfeição, a beleza, para que as possa olhar bem nos olhos. Morte ao academismo, às formulas burocráticas da arte, ao plágio decorativo.  Foi neste estado de intenso profetismo que compreendi que os meios de expressão pictóricos foram inventados definitivamente e com a máxima perfeição e eficácia no Renascimento, e compreendi também que a decadência da pintura moderna resulta do cepticismo e da falta de fé, consequências do materialismo atomista. Eu Dalí, reatualizando o misticismo espanhol, vou provar com a minha obra a unidade do universo, ao mostrar a espiritualidade de todas a substãncia.”

ESPIRITUALIDADE + ARTE + TECNOLOGIA + CIÊNCIA + HUMANIDADE = EVOLUÇÃO
Postar um comentário

Postagens mais visitadas